Liquidez

“Em nosso mundo de furiosa individualização, os relacionamentos são gelobençãos ambíguas. Oscilam entre o sonho e o pesadelo, e não há como determinar quando um se transforma no outro”. -Zigmund Bauman- Amor liquido
Vivemos numa furiosa individualização e também numa furiosa idealização, assim sendo não há quem esteja pronto para suportar essa transição entre sonho e pesadelo, e esperar pela próxima, daí então a violência eclode pela frustração. Tenho acompanhado com horror a violência psicológica entre casais que acreditam que a tecla delete ou desfazer resolve o problema. São atormentados pela própria realidade, pois não entendem a complexidade da ferida sentimental que custa a cicatrizar no meio da fluidez.

A vida virtual confunde o individuo que despreparado com a demanda sentimental, não consegue desfazer de si as marcas e cicatrizes impressas na idealização de uma   felicidade que não fora não alcançada. Na falta de habilidades e recursos egóicos o homem tecnológico volta ao primitivismo encontrando na violência a unica maneira de destruir aquele que não pode deletar.

Outra característica da liquidez ao qual estamos submetidos é a valorização da Novidade em detrimento da Permanência seja  de relacionamentos a  objetos, não importa sua durabilidade, importa apenas as novas experiencias geradas pela transitoriedade. Para suportar e se adaptar a rápidas mudanças homem contemporâneo então se fixa no raso das relações e sentimentos. A industria farmacêutica dá conta de produzir os medicamentos que entorpecerão o individuo, também nota-se jovens cada vez mais cedo utilizando-se do álcool e drogas para poder alcançar divertimento e sensações de prazer. O consumismo tecnológico brinda a vida liquida com o status da novidade. Entretanto a angustia existencial de todo o ser humano permanece em sua solidez fazendo transição somente nos sintomas em que se manifesta.

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