Paixões Perigosas

Durante a infância e adolescência é comum a paixão por adultos como professores por exemplo, configurando o que comumente se chama de amor platônico. Quando adultos algumas vezes somos atravessados por paixões direcionadas a pessoas que representam figuras de autoridade, como Chefes, lideranças religiosas, docentes, policiais, fiscais etc., sendo que geralmente o objeto destas paixões é comprometido (a). Dentro deste contexto as paixões são romantizadas e apresentadas massivamente como tema de novelas e romances, além de aparecerem em letras de música.

Observa-se que as figuras de autoridade alvo destas paixões representam conhecimento, sabedoria, poder, força, segurança, acolhimento, atributos semelhantes aos que os pais e cuidadores tem para filhos pequenos. Refletindo agora na relação pais e filhos, por volta dos cinco anos os filhos enamoram-se de seus pais ou cuidadores do sexo oposto. Meninos entre quatro e cinco anos apresentam grande apego pela figura da mãe e diz-se muitas vezes ser o namorado dela. Aquele que exerce a figura do pai então entra nesta relação desiludindo a criança e ensinando que quando ela crescer terá sua própria namorada. Nas meninas ocorre o mesmo com a figura paterna e pode-se observar uma relação de conflito com a figura da mãe. Essa fase infantil na psicanálise da se o nome de Complexo de Édipo.

Existe uma semelhança clara no caso de paixões por figuras de autoridades comprometidas com a fase de complexo de édipo, é como se nossa psique atravessasse um momento de regressão e infantilização onde vivenciamos esse o conflito da infância. O estado regressivo da psique durante esse tipo de paixão pode gerar atitudes impulsivas e passionais gerando arrependimento frustrações que levam o indivíduo ao isolamento e futuras depressões. Em alguns casos, pela situação de vulnerabilidade em que se encontram as pessoas tornam-se alvos fáceis de manipulação por parte de pessoas que não são idôneas.

A paixão pode ocorrer dentro do setting terapêutico, a saber dentro de terapia e relação entre cliente e terapeuta, impedindo momentaneamente o prosseguimento e evolução no tratamento uma vez que o cliente perde o foco. No trabalho também é prejudicial ao desempenho pois a pessoa fica desconcentrada e dentro do ambiente religioso a pessoa ainda pode ficar exposta a preconceitos, além de desenvolver culpa podendo recorrer a tipos de autoflagelação.

Como essas situações são bastante romantizadas pela mídia pedir aconselhamento a amigos, conhecidos e religiosos ainda pode expor mais ainda a riscos de vulnerabilidade e sofrimento. A melhor maneira de superar esse tipo de afeto é buscando um psicólogo que vai auxiliar o indivíduo a compreender o que desencadeou tal sentimento e assim tomar as decisões mais assertivas com sabedoria, através de uma psicoterapia breve.

Psicólogos e psicanalistas estão sempre terapia também para logo que perceberem paixões como está dentro do setting não entrem no jogo de sedução e conseguirem auxiliar e compreenderem da melhor maneira a demanda do cliente. Seria de grande importância que lideranças religiosas, que elo acolhimento que oferecem, também tivessem acompanhamento psicológico para sempre poderem auxiliar seus fiéis da melhor maneira sem expô-los a preconceitos e discriminações.

A paixões são afetos que nos atravessam o tempo todo, entretanto  alvo desta paixão pode sinalizar futuras patologias ou sofrimentos psíquicos.

Texto escrito por Flavia Fernandes Leonardo @psyflavia.leo, Psicóloga de orientação psicanalitica e Coach, especialista em Terapia familiar e Clinica dos Vinculos pela IPUSP  Especializanda em Psicoterapia Breve e Conselheira em Direitos Humanos e Participação Social

A equipe Psycoaching publicou um vídeo sobre o tema que pode ser acompanhado no link:

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